Acupuntura: Descobertas Cientificas

A acupuntura já se consagrou como método eficiente para aliviar dores. Agora, embasada por sólidas pesquisas científicas realizadas em todo o mundo, suas aplicações começam a se expandir. a acupuntura vem chamando a atenção da comunidade científica por recentes trabalhos científicos comprovarem a sua eficácia. Em exames de ressonância magnética, estudos científicos evidenciaram uma modificação nas cores quando são colocadas agulhas para determinadas funções. Isso demonstra cientificamente que o cérebro responde aos comandos recebidos à distância, na pele.

O avanço do método, nascido na China, em terras ocidentais é consequência de algumas transformações ocorridas nos últimos anos.

• A primeira foi a demanda crescente por técnicas que melhoram a saúde sem a necessidade de se recorrer a remédios. A acupuntura se ajusta perfeitamente nesse quesito.

• A segunda deve-se ao fato de que a medicina finalmente encontrou meios de avaliar com mais refinamento científico o efeito das agulhas no organismo.

Hoje, os cientistas estão recorrendo a testes moleculares e ao que há de mais avançado em tecnologia diagnóstica, como os exames de imagem (a exemplo da ressonância magnética funcional, que permite ver o cérebro em movimento), para obter respostas.

Considerando que tudo começa no cérebro, estudos recentes usando exames de imagem cerebral revelam que a prática promove uma intensa reação nas estruturas e redes de neurônios localizados no cérebro.

Algumas das descobertas:

1 Há ativação na rede neural responsável pelo controle motor e sensorial. Ela inclui estruturas como a ínsula, que funciona como uma espécie de intérprete do cérebro ao traduzir sons, cheiros ou sabores em emoções e sentimentos como nojo, desejo, orgulho, arrependimento, culpa ou empatia, e o tálamo, que é responsável pela condução dos impulsos nervosos/elétricos, pelas alterações no comportamento emocional e conexões com demais estruturas do sistema límbico (que regula as emoções).

2 Registra-se desativação da rede formada pelos sistemas límbico, paralimbico e neocortical. Nela estão o córtex pré-frontal medial, a amigdala e o córtex cingulado posterior.

3 Essas áreas estão bastante relacionadas ao processamento da dor. A influência da acupuntura sobre elas desencadeia a liberação de muitas substâncias. Entre elas, os opióides (dão analgesia e reduzem a produção de moléculas inflamatórias) e a serotonina (composto que faz a comunicação entre os neurônios e associado ao alivio da dor.

4 Sabe-se também que o corpo libera diferentes substâncias de acordo com a região onde as agulhas são inseridas e com as características da dor a ser tratada

5 Em relação ao Sistema Cardiovascular, os melhores resultados são obtidos se forem acionados pontos nos meridianos localizados sobre os nervos que passam pela medula espinhal.

6 A estimulação desses pontos tem influência em regiões do Sistema Nervoso Central relacionadas à função cardíaca. Uma delas é o hipotálamo. Entre outros efeitos está a redução da pressão arterial

As pesquisas se dividem em duas grandes áreas:

• Uma mensura o impacto da técnica no alívio dos desconfortos associados a diversas doenças.

• Outra elucida os mecanismos neurofisiológicos por meio dos quais a inserção das agulhas em pontos específicos promoveria os benefícios.

Com base nos resultados dessas pesquisas, a acupuntura se firma também no Ocidente. Ficou provado que a acupuntura promove um aumento na liberação de hormônios com poder de excitar ou inibir o ritmo de trabalho do sistema nervoso central, o que pode incentivar a melhor irrigação sanguínea dos tecidos.

Outra análise, empreendida por acadêmicos chineses, examinou quatro importantes trabalhos sobre a prática e a hipertensão. Verificou-se que se pela medicina chinesa o efeito surge do reequilíbrio das energias yin e yang, a ciência ocidental indica que as agulhas influem positivamente no sistema responsável pela regulação da pressão e modulação da atividade endócrina.

Como o Método se Expande







No Tratamento de AVC

Um impacto também comprovado mais recentemente ocorreu na recuperação de pacientes com sequelas motoras e cognitivas após acidentes vasculares cerebrais (AVC). “O método é eficaz nesses casos”, diz o médico Wu Tu Hsing, diretor do Centro de Acupuntura do Instituto de Ortopedia do Hospital das Clínicas de São Paulo (HC/SP).

Hsing é responsável por um estudo publicado há pouco tempo sobre o tema. O médico selecionou 60 pacientes que haviam sofrido AVC e apresentavam dificuldade de movimento nas pernas. O grupo foi dividido em dois:

• Um recebeu a aplicação das agulhas.

• Outro foi submetido à acupuntura placebo (simula-se sua aplicação).

A experiência durou dez semanas, com duas sessões semanais. “Os que foram tratados de verdade manifestaram melhora de 20% em relação aos outros”, informou o pesquisador. Hoje, o HC/SP – referência em pesquisa médica no País – oferece sessões do método para ajudar na recuperação de AVC. A rede de Reabilitação Lucy Montoro, em São Paulo, também utiliza a prática como recurso complementar aos tratamentos convencionais.

Há um esforço imenso para descobrir as reações por trás da recuperação motora e de outras capacidades funcionais prejudicadas por causa de um AVC ou de uma paralisia cerebral – outra condição para a qual a prática demonstra benefícios. Uma das equipes empenhadas em esclarecer essas dúvidas é a da Universidade Bastyr (Eua). Lá, os cientistas criaram agulhas feitas de um material especial para avaliar as respostas cerebrais decorrentes da eletroacupuntura.

Derivada da acupuntura tradicional, a técnica consiste na aplicação de corrente elétrica através das agulhas inseridas em pontos do corpo. As tais agulhas permitem que os cientistas investiguem os efeitos das descargas elétricas sem que haja interferência dos campos magnéticos de aparelhos de imagem que mostram o cérebro em funcionamento. “Encontramos a ferramenta certa para investigar. Isso possibilitará avanços e um grande número de estudos”, disse a pesquisadora Leanna Standish, que coordena o trabalho.

Fonte: Revista Isto É - A potência da acupuntura – por Cilene Pereira (cilene@istoe.com.br) e Mônica Tarantino (monica@istoe.com.br)
Fonte: Redação O Estado Do Paraná - Acupuntura ganha comprovação científica – por Mauro Carbonar

Publicado por: Andréia Ribeiro da Silva