Xamanismo

A palavra xamã vem de um idioma siberiano chamado tunguska, e quer dizer “aquele que viaja entre os mundos” ou “aquele que tem os conhecimentos secretos”.

O xamã tem a capacidade de se conectar com natureza e com suas energias, seus elementos. Ele aprende a ouvir seus chamados, a entender suas mensagens. Precisa estar puro, livre das influencias artificiais, toxinas físicas e etéricas, para que esta conexão seja favorecida e possível.

Todas as civilizações antigas tiveram seus Xamãs. Esta palavra esta sempre associada aos indígenas, são os Pajés, mas todas as pessoas que tinham essas qualidades são consideradas xamãs.

O xamã, acima de tudo, é um terapeuta que através de estados alterados de consciência consegue auxiliar o próximo através das praticas antigas que compõem o que é chamado de xamanismo.

No xamanismo, o pajé ou xamã, viaja entre os mundos visível e invisível para promover as “curas” e buscar as partes perdidas da alma dos seus assistidos. Muitas são as praticas xamânicas. Elas foram desenvolvidas desde os tempos mais remotos através da observação da natureza: As pedras, as ervas, as defumações, incensos, animais de poder, os rituais, as danças e as musicas, amuletos, são elementos que ajudam o xamã a se proteger e viajar para buscar as curas. Eles também cultuam as direções, as estações do ano, fases da lua, e tem conhecimentos de astrologia.

Do ponto de vista indígena, ninguém pode ser tornar um xamã sem ter vivenciado as experiências de um xamã. Isso pode ocorrer de duas formas: ou o indivíduo nasce um xamã ou vai aprendendo as tradições como outro xamã. São estudos que levam uma vida inteira!
Em algumas tribos um xamã não pode “curar” uma pessoa de um desequilíbrio que ele nunca teve pois ele não passou por aquela experiência.

É unânime entre os indígenas a ideia de que qualquer doença começa na alma e esses desequilíbrios são gerados pela ausência de si mesmo. Por partes da alma que foram perdidas. A perda da criança interior, o desanimo. Em todas as tradições xamânicas as curas envolvem trabalhos emocionais como desapego, perdão dos outros e de si mesmo. O coração é onde o Céu se liga a Terra e onde os pensamentos e se transformam nos sentimentos.

Quando ouvimos falar em xamanismo temos que ter consciência que estamos falando de praticas de várias tribos e povos de vários locais do mundo. Não é só dos índios brasileiros ou norte-americanos. Embora as praticas mais difundidas e conhecidas sejam em maior parte destes últimos, existem também praticas de outros povos: peruanos, australianos, havaianos (kahunas)...

Segue abaixo alguns elementos que fazem parte da cultura do xamanismo e são muito citados:

Cajado: é um instrumento de poder do xamã, que confere a ele apoio e poder nas suas jornadas. Simboliza também seu poder pessoal. Cada xamã deve confeccionar seu próprio cajado com elementos que fazem sentido para ele.

Cachimbo: O cachimbo foi um presente dado pelos deuses para simbolizar a união dos povos e para que as preces dos indígenas cheguem a Deus. Uma lenda conta a história de um espírito de uma mulher (Mulher Novilha Búfalo Branco) que trouxe o cachimbo a uma tribo para ser utilizado em nome da paz. Essa mesma lenda é contada por varias tribos diferentes com pequenas adaptações.

Animais de poder: são espíritos guardiões e podem ser sempre os mesmo, ou eles podem mudar conforme a necessidade de evolução do ser. O espírito guardião pode aparecer na forma humana ou na forma animal, ou ainda de forma não definida. Revelam informações sobre a personalidade da pessoa. São como mentores. No Brasil, entre os Guaranis, o Uirapuru é o passaro de poder.

Tambores: São os instrumentos de poder que ajudam o xamã a entrar em estados alterados de consciência. Os tambores servem para harmonizar através do seu som, sua trepidação. Existem vários tipos de tambores e cada um com suas características próprias e sons. Já foi motivo de estudo cientifico comprovando que seus toques produzem frequências curativas.

Rodas de Cura: são rituais onde são reverenciados os espíritos guardiões dos animais, das direções, dos elementos (água, terra, fogo e ar) e as estações do ano. Nas rodas de cura os xamãs pedem orientações sobre diversos assuntos e também fazem o intermédio no contato com o “Grande Espírito” (Deus).

Cânticos: existem em todas as tradições e funcionam como os mantram. São sons canalizados por animais de poder e guias, preces, e também utilizados para atrair proteção.

Jornadas Xamanicas: são rituais onde o xamã resgata as partes perdidas da alma do seu assistido (desanimo). Pode ser o resgate do animal de poder, do guia, ou uma jornada para pedir orientação aos espíritos.

Publicado por: Fernando Ribeiro da Silva